Hortifrúti, Sacolão ou Quitanda?

Qual a diferença e semelhança entre sacolão, quitanda e hortifrúti? Conheça agora a evolução do varejo de frutas legumes e verduras.

Você já se perguntou qual é a diferença entre hortifrúti, sacolão e quitanda?

À primeira vista, todos parecem bastante semelhantes, não é mesmo?

No entanto, a distinção entre esses modelos de negócio nem sempre é compreendida.

Vamos explorar juntos a evolução do varejo de frutas, legumes e verduras no Brasil, entendendo como cada um desses formatos desempenhou um papel importante no varejo.

Surgimento do Sacolão no Brasil

O sacolão surgiu na década de 70, no estado de Minas Gerais a partir da característica de comercialização adotada por esses comerciantes, que cobravam por todos os produtos da sacola.

Em suma, o cliente enchia a sacola com produtos escolhidos do sacolão, onde todos eram pesados juntos na hora do pagamento.

Outro detalhe curioso, era a prática de preços tabelados.

Dessa maneira, os produtos que formavam o sacolão, precisavam ter os preços igualados para manter uma boa imagem de preço baixo.

Todavia, o aparecimento do sacolão no varejo é apontado pela migração de alguns comerciantes atacadistas das CEASAS de Minas Gerais, que saíram em busca de um espaço físico, aumentando assim, o ponto de venda mais acessível para o consumidor.

Em partes, tal mudança ocorreu principalmente no tocante ao comércio das hortaliças, isto é, pela concorrência provocada pelos produtores do setor não permanente da CEASA/MG.

Não se sentindo em condições de competir com os produtores, tais atacadistas, buscaram outras alternativas para permanecer no mercado, sendo assim, encontraram nos sacolões o sistema de venda ideal para o desenvolvimento de suas atividades.

Reconhecimento Nacional do Sacolão

Na década de 1980, o sistema de sacolão foi reconhecido em todo o território nacional com a ajuda do programa chamado SINAC (Sistema Nacional de Centrais de Abastecimento).

Neste meio tempo, com essa expansão de várias Centrais de Abastecimento vinculadas a SINAC, estes, tiveram interesse em administrar e investir em diversos sacolões espalhados pelo país.

Com isso, iniciava então um segundo marco na história dos sacolões, o chamado de Intervenção Oficial.

Alguns centros de distribuição, passaram também a administrar sacolões para aumentar a capacidade de venda.

Na prática, o modelo de negócio de sacolões, foram perdendo espaço com a popularização dos supermercados que até então, eram vistos no Brasil como sofisticados, isto é, atendiam a classe mais nobre.

De fato, com o aumento crescente de alguns supermercados, muitos sacolões fecharam suas portas na época.

Ao mesmo tempo, alguns comerciantes partiram para venda itinerante de porta em porta, os chamados carros de verdureiro.

Entretanto, outros ainda tentaram resistir no mesmo modelo de negócio do início da década de 70, que nesse tempo, já estavam bem precários com a crescente expansão dos supermercados.

Contudo, alguns comerciantes se destacaram em meio à crise e reinventaram no negócio, onde trouxeram um novo conceito para dentro do sacolão.

Desse modo, nascia na época no lugar dos sacolões as chamadas Quitandas.

Hortifrúti, sacolão ou quitanda. Qual a diferença desses três modelos?
Foto: Dona de casa comprando em um sacolão na década de 1970. Hortifrúti, Sacolão ou Quitanda?

Origem e Crescimento da Quitanda no Brasil

Em resumo, nosso papel aqui é entendermos a evolução do varejo de hortaliças, porém iremos conhecer brevemente a origem da quitanda no Brasil.

De acordo com alguns livros de história, o nome Kitanda é de origem africana e tem o significado de “Tabuleiro que Expõem Mercadorias”.

Ainda na época da escravidão no Brasil, existiam as Quitandeiras. Eram mulheres escravas, que expunham as mercadorias de forma ambulante e traziam diversos tipos e gêneros de alimentos comercializados na rua.

Com certeza, devido ao fator migratório, esse método de venda ambulante se tornou mais comum no Brasil nessa época. 

Com a chegada dos imigrantes europeus, muitos se tornaram também vendedores ambulantes denominados de quitandeiros.

De maneira idêntica, outros iniciavam seus negócios em pequenos comércios que vendiam de tudo, as chamadas Vendas ou Empórios.

A princípio, vendiam diversos produtos como:

Queijos, salames, bolos, doces caseiros, grãos, cereais, farináceos, galinha, toucinhos, frutas, legumes e verduras etc.

As quitandas foram crescendo no decorrer dos anos e muitos estabelecimentos foram surgindo.

Já nesse período, muitos sacolões integravam o modelo de quitanda e passaram a vender outros produtos.

As representatividades das quitandas trouxeram aos donos de sacolões na década de 90 a chance de reinventar um novo modelo de negócio.

Com certeza, a adequação de produtos foi mudando de acordo com a necessidade da época.

Por consequência, essa mudança foi de extrema importância no combate a evolução dos supermercados, que cresciam com o aumento de redes estrangeiras no país.

Quitanda no brasil nos anos de 1980.
Foto: Típica quitanda dos anos de 1985. Hortifrúti, sacolão ou quitanda?

Hortifrutigranjeiros Lojas de Hortifrúti

Com os sacolões reinventados e migrados para quitandas, uma nova modalidade toma força na década de 90.

A Ideia era trazer uma nova identidade para o mundo das vendas de hortaliças no Brasil.

Desse modo, ao invés de 20 ou 30 produtos básicos que compunham os sacolões, o novo modelo de negócio trazia um grande mix de produtos, dos mais variados e completos dentro da diversificação de frutas legumes e verduras.

A maneira de trazer os produtos comercializados em quitandas, empórios e mercearias, compôs uma loja completa e competitiva, dando ao nome do modelo de negócio como hortifrutigranjeiro.

Outra forma estratégica do hortifrutigranjeiro é a estruturação física das lojas.

Com toda certeza, não bastava trazer uma grande variedade de produtos e não mudar o formato da loja.

A partir de então, a modernização de equipamentos, a preocupação com o visual e principalmente a qualidade dos produtos, foram diferenciais para uma nova identidade de loja de Frutas Legumes e Verduras.

Dessa maneira, por incrível que pareça, pouquíssimos empresários hoje no Brasil têm adotado e investido nesse modelo de loja hortifrutigranjeiro.

quitanda, sacolão e hortifruti
Foto: Mini Varejão, loja de hortifrúti. Hortifrúti, sacolão ou quitanda?

Incentivo para Evolução das Lojas de Hortaliças

A modernização e atualização do negócio é de suma importância para identidade do negócio e diferenciação da concorrência.

Os que tomaram partida e decidiram evoluir, com toda certeza, tiveram seus negócios como referência no quesito lojas modernas de hortifrúti, e ainda hoje encontram poucos concorrentes.

Portanto, é importantíssimo o empreendedor levar em consideração a modernização da venda de frutas legumes e verduras. Não se trata de tamanho, e sim o formato de um modelo moderno e inovador para competir nos dias atuais com o varejo supermercadista.

De fato, entendemos que cada tipo de negócio atende uma determinada demanda de clientes, porém hoje, devido à grande concorrência de mercados e supermercados é difícil se manter com poucas opções e variedades de produtos.

Assim sendo, ter uma loja de hortifrúti moderna, não se refere apenas ao seu tamanho, e sim, ser referência de qualidade, diversidade e atendimento ao cliente que traz experiência de compra agradável.

Com certeza, num cenário de concorrência crescente, a modernização mostra-se essencial para a sobrevivência e o sucesso. Investir em inovação, qualidade e atendimento é o caminho para oferecer uma experiência de compra única.

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4 Comments

    janeiro 26, 2017 Reply

    Muito boa a matéria, porém não é toda comerciante que consegue fazer a tal modernidade! Até porque, custa muito alto, mesmo que o dono do estabelecimento queira melhorar seu negocio, nem sempre é possível e não se tem dinheiro pra isso!

      janeiro 26, 2017 Reply

      Olá Rafael tudo bem?
      Obrigado pelo seu comentário.
      Concordo com você com a dificuldade encontrada em todo tipo de negócio e suas limitações, isso é fato e não pode ser ignorado. Só que estamos tratando no artigo da evolução nos tipos de negócio e que podem ser adaptado conforme o investimento do comerciante. Até mesmo porque se este, não acompanhar a evolução do mercado e dos clientes, não vão conseguir sobreviver nele. É o motivo qual, muitos comércios que não acompanharam a evolução do hortifruti estão sofrendo com as mudanças de mercado.
      Abraços.

    dezembro 12, 2016 Reply

    Rogério, parabéns por mais este post. Muito interessante. Também acredito neste segmento que agrega qualidade, confiança e modernidade. Os modelos que vemos hoje disponíveis no mercado tendem a perder espaço com o tempo, pois são ultrapassados e remetem, muitas vezes, a um ambiente de “fim de feira”.

      dezembro 13, 2016 Reply

      Olá Fábio tudo bem?
      Obrigado mais uma vez, fico feliz por ser um leitor assíduo. Sim o modelo em questão é referência para o futuro do hortifruti.
      Mande notícias.
      Abraços.

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Rogerio Prado

Rogerio Prado, formado em Administração de Empresas e pós graduado em Gestão Pública, especialista de Comércio Exterior e empreendedor digital, com 15 anos em vivência no varejo brasileiro.

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